Entre os séculos XV e XVI, as conquistas de Alexandre Magno foram frequentemente evocadas como termo de comparação para os descobrimentos ultramarinos portugueses, dando substância a um motivo que recorre, com matizes variáveis, em cartas, crónicas, tratados, poemas, peças teatrais e outros textos literários, assim como no âmbito das artes visuais. É neste contexto que se coloca a menção de Alexandre Magno nos Lusíadas. Ao longo do texto, as referências explícitas que lhe dizem respeito repetem-se por dez vezes, sendo que a primeira está presente já no proémio, na terceira oitava do primeiro canto, e a última aparece, muito significativamente, no dístico que encerra o poema. A este propósito a análise da presença de Alexandre no poema camoniano pode oferecer numerosas pistas de leitura. Entre estas, a comunicação vai-se deter, em particular, sobre a relação entre a figura do «capitão mancebo» (VII, 54.5) e a de personalidades históricas ou mitológicas que, sob vários aspetos, parecem representar um seu equivalente ou até algo como o seu duplo. Elas formam um conjunto em que se podem destacar não apenas líderes e imperadores romanos que se dedicaram à imitatio Alexandri (como Júlio César e Trajano), mas também deuses e heróis como Baco, Héracles e Aquiles.

Alexandre Magno e Os Lusíadas in: Carlos Ascenso André, Henrique Leitão, Isabel Almeida (org.), Camões e os saberes, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 2025

Matteo Rei
2025-01-01

Abstract

Entre os séculos XV e XVI, as conquistas de Alexandre Magno foram frequentemente evocadas como termo de comparação para os descobrimentos ultramarinos portugueses, dando substância a um motivo que recorre, com matizes variáveis, em cartas, crónicas, tratados, poemas, peças teatrais e outros textos literários, assim como no âmbito das artes visuais. É neste contexto que se coloca a menção de Alexandre Magno nos Lusíadas. Ao longo do texto, as referências explícitas que lhe dizem respeito repetem-se por dez vezes, sendo que a primeira está presente já no proémio, na terceira oitava do primeiro canto, e a última aparece, muito significativamente, no dístico que encerra o poema. A este propósito a análise da presença de Alexandre no poema camoniano pode oferecer numerosas pistas de leitura. Entre estas, a comunicação vai-se deter, em particular, sobre a relação entre a figura do «capitão mancebo» (VII, 54.5) e a de personalidades históricas ou mitológicas que, sob vários aspetos, parecem representar um seu equivalente ou até algo como o seu duplo. Elas formam um conjunto em que se podem destacar não apenas líderes e imperadores romanos que se dedicaram à imitatio Alexandri (como Júlio César e Trajano), mas também deuses e heróis como Baco, Héracles e Aquiles.
2025
Camões e os saberes
Academia das Ciências de Lisboa
149
170
978-972-623-423-4
https://comum.rcaap.pt/entities/publication/36d3f1fb-fc1b-40b2-88b5-49c1f64b6573
Alexandre Magno, Camões, Oriente, imitatio Alexandri, Descobrimentos
Matteo Rei
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Utilizza questo identificativo per citare o creare un link a questo documento: https://hdl.handle.net/2318/2113573
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